Família se revolta com pena de empresária condenada a 12 anos de prisão por matar funcionária que teria tido caso com marido: 'Agiu de forma covarde'
04/04/2025
(Foto: Reprodução) Irmã de Ana Vitória Pereira Alves alega impunidade por parte da Justiça. Empresária foi presa seis meses após a condenação por determinação judicial. Ana Vitória Pereira Alves, de 19 anos, foi morta com um tiro na cabeça, em Goiás
Reprodução/Redes Sociais
A família de Ana Vitória Pereira Alves, funcionária que foi morta pela dona do restaurante condenada a 12 anos de prisão, se revoltou com a pena determinada pela Justiça. Adriana Alexina Leal Borges André confessou ter matado a jovem, de 19 anos, por ciúmes após encontrar indícios de que ela teria tido um caso com o marido dela, em Catalão, no sudeste goiano.
“Pelo o que ela [Adriana] fez, de forma covarde e premeditada o crime, a condenação foi pouca. Ela pegou 12 [anos]. Só vai cumprir 6. Hoje nosso sentimento é de impunidade porque o julgamento aconteceu faltando poucos meses para completar sete anos [do crime]. Durante esse tempo até o julgamento, ela ficou em liberdade. Então, muito tempo para pouca Justiça”, disse ao g1 a irmã da funcionária, Joyce Alves.
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Joyce disse que a irmã trabalhava há três anos no restaurante e que, na época do crime, a irmã estava namorando há pouco tempo. Segundo ela, a jovem era muito querida na cidade onde morava, em Davinópolis.
“Era conhecida por todos e ao mesmo tempo amada tanto família como amigos. No dia Davinópolis parou! Ela era uma menina cheia de sonhos e infelizmente foi interrompido por uma tragédia! Hoje temos uma família triste e vazia com a falta dela”, desabafou.
Ana Vitória era a irmã do meio entre as três e havia acabado conquistado a casa dela, “mas infelizmente não chegou a morar nela. Estava tentando começar a vida e a própria independência”, disse Joyce. A jovem queria fazer faculdade de educação física ou nutrição.
Prisão
O crime aconteceu em março de 2018, dentro do restaurante. Adriana Alexina foi presa no dia 29 de março deste ano, após mandado de prisão definitiva expedido pela Justiça de Catalão. O julgamento aconteceu em setembro do ano passado, contudo, a defesa havia apresentado recurso, mas foi negado em fevereiro deste ano.
Ela está presa na Unidade Prisional Regional Feminina de Orizona, de acordo com a Polícia Penal. A reportagem entrou em contato com a defesa que representou Adriana no julgamento, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
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Condenação
De acordo com a sentença, a empresária foi condenada por homicídio qualificado cometido à traição, de emboscada ou mediante dissimulação contra a vítima. A defesa pediu por um novo julgamento alegando que o caso deveria ser analisado como legítima defesa ou homicídio privilegiado, quando é cometido sob o domínio de uma violenta emoção ou por um motivo moralmente relevante.
Contudo, o Conselho de Sentença entendeu que as provas e depoimentos, especialmente a confissão da ré, foram suficientes para demonstrar “a presença da qualificadora referente à utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima”.
O laudo da perícia apontou que o disparo foi efetuado por trás da vítima e a curta distância, sem tempo de reação. Três testemunhas alegaram ainda que “a vítima estava desarmada, não tendo sido, de fato, encontrado com ele qualquer instrumento do qual pudesse se utilizar para se defender”, segundo a decisão.
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Relembre o caso
Conforme informações do g1, Adriana Alexina se apresentou à polícia no dia 2 de abril de 2018, dois dias depois do crime, e confessou ter matado a funcionária, de 19 anos, que prestava serviços eventuais em seu restaurante.
Na época, a delegada Alessandra Maria Castro, responsável pelo caso, informou que, além de admitir a autoria, a empresária apresentou a arma que usou no crime. Como não houve flagrante e ela estava colaborando com as investigações, a comerciante foi liberada logo após o depoimento e respondeu em liberdade até ser presa na última semana.
Crime foi cometido no restaurante da suspeita, em Catalão, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
A delegada explicou que, uma semana antes do crime, a comerciante desconfiou da traição e chegou a questionar o esposo, que negou a relação.
Antes do crime, o casal encontrou com a jovem em uma festa. A Adriana disse que notou um olhar diferente entre eles e questionou o marido, mas ele refutou a situação.
No entanto, posteriormente, a mulher descobriu a suposta traição ao mexer em seu computador e ver que Ana Vitória havia deixado sua conta em uma rede social aberta. De acordo com depoimento da comerciante, ela encontrou conversas com outras pessoas falando sobre o caso.
Emboscada
Segundo a Polícia Civil (PC), logo que viu a conversa da funcionária com o marido, Adriana disse que ligou para Ana Vitória simulando que precisava dela para auxiliá-la em um trabalho. Ela própria a buscou e, quando chegaram ao restaurante, as duas começaram a discutir.
A Adriana conta que perguntou se a funcionária tinha um caso com o marido, e ela respondeu que sim. Em seguida, ainda conforme a comerciante, Ana Vitória começou a ofendê-la, dizendo que era mais nova e que já havia dormido com o marido dela na cama do casal, afirmou a delegada.
Durante a discussão, Adriana pegou a arma e efetuou um tiro na cabeça da jovem. A vítima morreu no local. O marido de Adriana estava nos fundos do estabelecimento e ouviu o disparo. Ao chegar e ver a esposa com a arma na mão, ele fugiu, acreditando que também poderia ser alvo dela.
No entanto, após o crime, a mulher correu para casa, que fica a 500 metros do estabelecimento, pediu que a babá cuidasse do filho do casal, de 2 anos, e fugiu. Dois dias depois, se apresentou de forma espontânea. Ela foi indiciada e acusada pelo homicídio.
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