Empresária é condenada a 12 anos de prisão por matar funcionária que teria tido um caso com o marido dela, em Catalão
31/03/2025
(Foto: Reprodução) Adriana Alexina Leal confessou à polícia que encontrou conversas da funcionária com o seu marido. Vítima foi morta com um tiro na cabeça. Empresária que matou funcionária é condenada a 12 anos de prisão
A dona de um restaurante foi presa após ser condenada a 12 anos de prisão por matar uma funcionária, de 19 anos, que teria tido um caso com o marido dela, em Catalão, no sudeste goiano. Na época, Adriana Alexina Leal Borges André se apresentou à polícia e confessou ter matado Ana Vitória Pereira Alves, com um tiro na cabeça.
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O crime aconteceu, no dia 31 de março de 2018, dentro do restaurante, após a mulher encontrar conversas da funcionária com o seu marido nas redes sociais, conforme a confissão da empresária. A sentença foi assinada em setembro do ano passado. A defesa apresentou recurso, mas foi negado em fevereiro deste ano.
A mulher foi presa neste sábado (29), após mandado de prisão definitiva expedido na última quinta-feira (27) pela Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), comarca de Catalão. Em audiência de custódia, realizada na sexta-feira (30), o juiz manteve a prisão da mulher. Ela está presa na Unidade Prisional Regional Feminina de Orizona, de acordo com a Polícia Penal.
Ao g1, a Defensoria Pública de Goiás (DPE), que representou a empresária no momento da prisão, disse que não comentará sobre o caso (veja a nota completa ao fim do texto). A reportagem entrou em contato com a defesa que representou Adriana Alexina no julgamento, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
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Condenação
De acordo com a sentença, a empresária foi condenada por homicídio qualificado cometido à traição, de emboscada ou mediante dissimulação contra a vítima. A defesa pediu por um novo julgamento alegando que o caso deveria ser analisado como legítima defesa ou homicídio privilegiado, quando é cometido sob o domínio de uma violenta emoção ou por um motivo moralmente relevante.
Contudo, o Conselho de Sentença entendeu que as provas e depoimentos, especialmente a confissão da ré, foram suficientes para demonstrar “a presença da qualificadora referente à utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima”.
O laudo da perícia apontou que o disparo foi efetuado por trás da vítima e a curta distância, sem tempo de reação. Três testemunhas alegaram ainda que “a vítima estava desarmada, não tendo sido, de fato, encontrado com ele qualquer instrumento do qual pudesse se utilizar para se defender”, segundo a decisão.
Relembre o caso
Conforme informações do g1, Adriana Alexina se apresentou à polícia no dia 2 de abril de 2018, dois dias depois do crime, e confessou ter matado a funcionária, de 19 anos, que prestava serviços eventuais em seu restaurante.
Na época, a delegada Alessandra Maria Castro, responsável pelo caso, informou que, além de admitir a autoria, a empresária apresentou a arma que usou no crime. Como não houve flagrante e ela estava colaborando com as investigações, a comerciante foi liberada logo após o depoimento e respondeu em liberdade até ser presa na última semana.
A delegada explicou que, uma semana antes do crime, a comerciante desconfiou da traição e chegou a questionar o esposo, que negou a relação.
Antes do crime, o casal encontrou com a jovem em uma festa. A Adriana disse que notou um olhar diferente entre eles e questionou o marido, mas ele refutou a situação.
No entanto, posteriormente, a mulher descobriu a suposta traição ao mexer em seu computador e ver que Ana Vitória havia deixado sua conta em uma rede social aberta. De acordo com depoimento da comerciante, ela encontrou conversas com outras pessoas falando sobre o caso.
Emboscada
Crime foi cometido no restaurante da suspeita, em Catalão, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Segundo a Polícia Civil (PC), logo que viu a conversa da funcionária com o marido, Adriana disse que ligou para Ana Vitória simulando que precisava dela para auxiliá-la em um trabalho. Ela própria a buscou e, quando chegaram ao restaurante, as duas começaram a discutir.
A Adriana conta que perguntou se a funcionária tinha um caso com o marido, e ela respondeu que sim. Em seguida, ainda conforme a comerciante, Ana Vitória começou a ofendê-la, dizendo que era mais nova e que já havia dormido com o marido dela na cama do casal, afirmou a delegada.
Durante a discussão, Adriana pegou a arma e efetuou um tiro na cabeça da jovem. A vítima morreu no local. O marido de Adriana estava nos fundos do estabelecimento e ouviu o disparo. Ao chegar e ver a esposa com a arma na mão, ele fugiu, acreditando que também poderia ser alvo dela.
No entanto, após o crime, a mulher correu para casa, que fica a 500 metros do estabelecimento, pediu que a babá cuidasse do filho do casal, de 2 anos, e fugiu. Dois dias depois, se apresentou de forma espontânea. Ela foi indiciada e acusada pelo homicídio.
Nota da DPE
A Defensoria Pública do Estado de Goiás informa que representou a investigada durante a audiência de custódia, cumprindo seu dever legal e constitucional de garantir a defesa de pessoas que não tenham condições de pagar por um profissional particular, e não comentará sobre o caso. A partir disso, por se tratar de comarca onde a DPE-GO não está instalada de forma permanente, ocorre sua desabilitação no processo. Assim, será oportunizado prazo para a acusada constituir sua defesa ou para que haja nomeação pelo juízo.
Ana Vitória Pereira Alves, de 19 anos, foi morta com um tiro na cabeça; suspeita se entregou e confessou crime, Goiás
Reprodução/Redes Sociais
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