Caciques do União Brasil faltam a evento para lançar Caiado ao Planalto; partido enfrenta disputa interna
04/04/2025
(Foto: Reprodução) ACM Neto e Sergio Moro prestigiaram governador de Goiás; já os presidentes da sigla, Antonio Rueda, e do Senado, Davi Alcolumbre, não apareceram. Caiado se lança pré-candidato à Presidência pelo União Brasil em evento em Salvador
Malu Vieira/g1 BA
Faltando um ano e meio para os eleitores irem de fato às urnas, a campanha presidencial de 2026 já começa a ganhar corpo. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), lançou seu nome como pré-candidato ao Palácio do Planalto nesta sexta-feira (4), em um evento em Salvador (BA).
O evento, no entanto, deixou evidente que, além da disputa externa com os demais partidos e aspirantes ao Planalto, há também batalhas a resolver no próprio União Brasil.
➡️ O presidente do partido, Antônio Rueda, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceram ao evento de Caiado.
➡️ O maior representante da sigla foi o vice-presidente nacional e ex-prefeito ACM Neto.
Caiado começou a pré-campanha nesta sexta recebendo um título de "cidadão baiano" – que havia sido concedido a ele pelo então deputado estadual e atual prefeito de Salvador, Bruno Reis, também do União Brasil.
Há dois dias, o governador tem cumprido agenda na capital baiana, fazendo reuniões com setores produtivos do estado (agricultura, indústria e comércio).
“Caiado começa aqui sua caminhada porque ele é um homem que tem coragem de fazer o debate. Chegará a qualquer canto do país para enfrentar o PT, para dizer que não aceita e não tolera a inflação que hoje corrói o salário principalmente dos mais pobres. Da dó de ver uma família ir à feira e o dinheiro estar contado”, afirmou ACM Neto.
Em seu pronunciamento, Caiado defendeu melhoria na atividade econômica, nos índices educacionais e principalmente na área da segurança pública.
“Nunca passei a mão na cabeça de bandido. Nunca fiz concessão a bandidagem desde que me entendo por gente. Quando eu falo de segurança pública não é porque é apenas uma das responsabilidades de governador. Eu falo porque no estado democrático de direito quando se tem segurança pública se tem gestão plena. É uma tema transversal. Quando eu assumi Goiás, o estado era a Disneylândia da criminalidade”, afirmou o agora pré-candidato.
➡️ O status de "pré-candidato" não é algo formalizado junto à Justiça Eleitoral. As candidaturas só serão registradas formalmente em 2026, dentro do calendário estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Antes disso, qualquer cidadão pode se dizer candidato.
➡️ Políticos que já têm cargo público – como Caiado, atual governador de Goiás – podem mencionar a candidatura e exaltar suas próprias qualidades, mas não podem usar o mandato para fazer pedido explícito de votos, por exemplo.
Governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em entrevista sobre pré-candidatura ao Planalto
Julia de Lannoy/TV Globo
Presentes e ausentes
O evento reuniu deputados federais, senadores e prefeitos. Pelo União Brasil, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Paulo Azi (Uniao-BA), era um deles, Assim como senador Sérgio Moro (Uniao-PR).
Estiveram presentes também figuras de outros partidos – o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), o presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), e o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), entre outros.
Três prefeitos de capitais comandadas pelo União Brasil estiveram na cerimônia. Além de Bruno Reis, compareceram Paulinho Freire, de Natal, e Sandro Mabel, de Goiânia.
Ainda assim, ganharam destaque as ausências dos principais caciques do partido – que evidenciam o racha interno na legenda.
🔎 De um lado, a ala considerada "mais governista" avalia que lançar uma pré-candidatura agora dificulta o relacionamento com o governo.
O União Brasil tem dois ministros no governo: Juscelino Filho (Comunicações) e Celso Sabino (Turismo). O número chega a três com o ministro da Integração Nacional, Waldez Góes – que é do PDT, mas foi indicado ao posto por Alcolumbre.
🔎 Do outro lado, a ala "mais bolsonarista" do União Brasil prefere aguardar a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro – que está inelegível por decisão da Justiça Eleitoral, mas ainda se apresenta como pré-candidato ao Planalto em 2026.
Caiado defende 'prévias'
A interlocutores, o governador de Goiás tem dito que não decidiu lançar a pré-candidatura da própria cabeça e que a decisão foi dividida com a cúpula do União Brasil.
Questionado, Caiado afirmou que o partido está "aberto a todos que quiserem disputar a prévia".
"O partido não tem aqui a decisão de dizer quem pode e quem não pode. Aqui não é candidato de bolso de colete, aqui nao é candidato de barra de saia. Aqui é candidato quem tiver proposta para poder apresentar junto à população", afirmou.
"Quem tiver coragem, quem tiver independência moral, intelectual, se apresente. E quantos vierem. Não cabe ao presidente [do partido] hoje tomar parte de um candidato A ou de um candidato B. Cabe a cada candidato não ficar dependendo da sombra de A ou de B. O candidato tem que se apresentar, ir para as prévias. É isso que o União Brasil está fazendo”.
O lançamento com antecedência, diz Caiado, seria uma forma de superar o desconhecimento apontado nas pesquisas.
“Uma eleição não pode ser decidida em 60 dias, como é a campanha eleitoral hoje. Então precisa do período de prévia. Vou começar na Bahia e depois percorrer todo o Nordeste. Depois vou ao Sul, ao Sudeste e também ao Norte. Porque no Centro-Oeste já sou conhecido”, disse Caiado em almoço na Federação do Comércio da Bahia nesta quinta (3).
Levantamento da Genial/Quest divulgado esta quinta-feira (03) aponta que Caiado tem 63% de desconhecimento, o maior percentual entre todos os candidatos de oposição.
Ronaldo Caiado anuncia pré-candidatura à Presidência após PGR denunciar Bolsonaro
Federação pode afetar candidatura
Para se viabilizar candidato, Caiado terá que superar não apenas o desconhecimento e a divisão interna.
Há, ainda, as negociações entre União Brasil e PP para formar uma federação partidária.
➡️ Na prática, isso obrigaria o PP a também concordar com a escolha de um nome à presidência.
Um importante cacique do União, que preferiu não se identificar, afirmou à GloboNews que não vê a federação como entrave. E que o lançamento da pré-candidatura de Caiado, agora, ajuda a futura federação a ter "mais peso" no momento de unificar uma candidatura de centro-direita.
“Com Bolsonaro fora, a federação pretende ter mais peso nesse jogo de definição de quem será o candidato. Bolsonaro individualmente tem o maior capital político, e o apoio dele será decisivo. Para não assistir de camarote, Caiado estará ganhando musculatura enquanto isso”, afirmou.
O prefeito de Salvador também falou nesta quinta. Bruno Reis afirmou que o lançamento da pré-candidatura é apenas o primeiro passo para consolidar a candidatura de Caiado dentro da federação.
“Vamos trabalhar para unificar toda a oposição para apresentar um projeto alternativo ao que hoje está no poder”, disse.